NOTA! Este site utiliza cookies e tecnologias similares.

Se não alterar as configurações do seu navegador, está a concordar com a sua utilização.

Compreendo

Telemóveis Fornecem Pistas aos Agentes de Publicidade.

sexta-feira, 05 junho, 2009 /
Telemóveis Fornecem Pistas aos Agentes de Publicidade. Os milhões de pessoas que diariamente utilizam os seus telemóveis para jogar, fazer o download de aplicações e navegar na Web estão longe de saber que têm um companheiro invisível: os agentes de marketing e publicidade registam os seus hábitos e até mesmo a sua localização, alerta o New York Times. Smartphones, como o iPhone eo BlackBerry Curve, são o mais recente e abrangente modo de os publicitários fazerem chegar anúncios a determinados consumidores. Estes publicitários já têm anúncios personalizados para pequenos grupos de consumidores na Web, com base em informações pessoais. Mas os telemóveis têm um potencial muito maior para a publicidade personalizada, especialmente quando utilizam aplicações como Yelp ou Urbanspoon com GPS para identificar a localização de uma pessoa mesmo ao virar da esquina.

Pagam-se elevadas quantias por anúncios. Por exemplo, anunciar um restaurante a quem está a sair de um espectáculo, é uma habilidade que sai cara, especialmente se essa informação tem anexada o sexo, a idade, o poder de compra, e interesses do consumidor.

Eswar Priyadarshan, o Director de Tecnologia da Quattro Wireless, que coloca publicidade online para clientes como a Sony, diz que normalmente tem 20 indicações sobre um cliente que tenha visitado um site ou tivesse entrado na sua rede. "A ideia base é passar por todos estes canais, e assim obter o máximo de dados possíveis", disse.

A capacidade de recolha de informação tem alarmado quem defende a privacidade.

"É potencialmente um espião portátil e pessoal", disse Jeff Chester, Director Executivo do Centro para Democracia Digital, que foi junto dos membros da Federal Trade Commission (Comissão Federal do Comércio) informar sobre a privacidade e o mobile marketing. Está particularmente preocupado com a violação da informação; a falta de transparência das regras e a forma como os marketers estão fazer a recolha de dados - estes agentes de publicidade têm "acesso a informações sobre assuntos sensíveis como a saúde ou o dinheiro que as pessoas têm. "Os utilizadores não vêm mal nenhum num clique, no entanto estão longe de saber que consentiram passar todas as suas informações privadas."

Por enquanto, os publicitários ainda estão a pesquisar os dados de uma forma global. Fazem o levantamento dos comportamentos das pessoas de acordo com a cidade onde habitam, em vez da rua onde moram.

E, enquanto recolhem informações específicas sobre como alguém se comporta na web - por exemplo, alguém comprou um determinado ring tone após ver o anúncio correspondente, em seguida, assiste a um vídeo sobre sobre os eu grupo preferido - ao cruzarem essa informação fazem um perfil da pessoa que a define com alguém que é fã de cultura pop ou de outra coisa, depende das suas escolhas. Em seguida, mostram o seu anúncio publicitário.

Estes profissionais estão ansiosos por utilizar as informações para um target cada vez mais específico. Um sistema de publicidade poderia saber, por exemplo, que alguém de 27 anos, sexo masculino, é fã dos New England Patriots (que NFL.com pode localizar), joga Blackjack, viaja frequentemente entre Boston e Nova Iorque durante a semana (aplicações com o GPS podem localizar ) e usa um iPhone 3G. Isso faria desta pessoa um excelente e atractivo target para os anunciantes. Deste modo, seriam enviados vários anúncios adequados aos seus gostos e necessidades (um hotel, por exemplo) enquanto navegasse na Net no seu móvel.

"Toda a gente se esfola por descobrir mais e mais sobre os seus utilizadores", disse Eric Bader, o administrador da empresa de publicidade móvel Brand in Hand. Mesmo os programadores de aplicações estão a entregar informações sobre os seus clientes para o segmento de marketing. Dockers San Francisco, uma marca da Levi Strauss, por exemplo, está a começar uma campanha esta semana que irá correr em aplicações como iBasketball e iGolf. Irá mostrar um/a modelo a vestir umas calças cáqui, o utilizador de iPhone pode agitar o telefone para ver o/a modelo a dançar.

Dockers irá começar a monitorizar o tempo durante o qual as pessoas agitam o anúncio e, em seguida, "se fizer sentido fazer um follow up junto destes consumidores, iremos fazê-lo", disse Jonathan Haber Director da Fábrica Ignition em OMD nos Estados Unidos, a agência de media que faz a campanha. "Pesquisamos, especialmente junto dos criadores e proprietários destas aplicações para obter informações sobre o seu comportamento ."

Não é só o comportamento, mas também dados sobre o ordenado, ou mesmo se existem filhos, que os anunciantes estão interessados. Uma empresa chamada Acuity Mobile, cujos clientes incluem a MGM Mirage e Harrah's Entertainment, permite que os clientes utilizem os dados do consumidor, incluindo, potencialmente, o seu rendimento, para determinar qual o tipo de ofertas que os clientes devem ter.

"Alguém que não gasta muito dinheiro com a sua marca pode ter uma oferta de menor valor, como uma sobremesa grátis versus um buffet grátis para um grande investidor, disse Alan R. Sultan, o presidente e fundador da Acuity Mobile.

Aplicações que utilizam o GPS podem oferecer ainda mais especificidade, incluindo Loopt, Yelp, Urbanspoon, Where, e quase todas as aplicações do iPhone que mostram a caixa pop-up a dizer que "gostaria de utilizar a sua localização actual." Várias empresas estão a experimentar um programa chamado AisleCaster que faz ofertas especiais com base na localização exacta da pessoa, num supermercado ou centro comercial etc.

Sistemas de publicidade podem acompanhar não só a localização do dispositivo móvel, mas também o perfil do viajante.

Por agora, sistemas como Quattro estão a usar categorias ao nível da cidade na tentativa de vender aos publicitários como Amtrak. "Não se pretende ir ao nível da localização da esquina, porque isso é mesmo entrar na privacidade dos utilizadores. " disse o Sr. Priyadarshan.

Por agora, não há um número suficiente de pessoas com smartphones para motivar os publicitários a usar critérios muito específicos. Mas à medida que mais pessoas utilizarem smartphones, isso vai acontecer com mais frequência. O mercado dos smartphone na América do Norte aumentou 69 % em 2008, segundo a empresa de pesquisa Gartner. Google, BlackBerry e Palm estão todos a lançar a sua própria loja de aplicações. Apesar da quantidade de dados no mercado, enquanto os publicitários não utilizarem as informações de identificação pessoal, não existe nenhuma lei ou regulamento em vigor que rege a forma como os publicitários e programadores de aplicações se devem aproximar dos utilizadores de telemóveis.

"Eu não sabia que estavam a fazer isto, embora não fique surpreendido ao ouvir dizê-lo", disse Jordan Penn, 32, que fez 12 dowmloads de aplicações para o seu iPhone. "Isto não me preocupa mais do que a qualquer outra pessoa que é monitorizada quando está ligada à net", explica. Paul M. Schwartz, um professor de Direito da Universidade da Califórnia, Berkeley, e perito em direito à privacidade da informação, disse que este visionamento é problemático. "As pessoas devem ter a possibilidade de trocar informações comerciais de uma forma justa", disse. "Esta forma não está agora a ser justa ", acrescenta.

Mike Wehrs, o executivo-chefe da Mobile Marketing Association, afirmou que o seu grupo estava a fazer actualizações de alguns dos princípios de auto-regulação, por exemplo, sugerindo que as aplicações enviem um e-mail aos assinantes sobre as leis do direito à privacidade em vez de lhes pedirem para lerem estas leis nos pequenos ecrãs dos seus telemóveis. "Eu concordo que há muito mais que pode ser feito", disse. "E sobre os telemóveis tenho a dizer, é impressionante o rápido movimento desta indústria", conclui.

Por fim, resta alertar para o facto de as leis existentes não conseguirem cobrir todas as irregularidades possíveis. Por esta razão as empresas governam-se por códigos sociais de ética profissional - "do the right thing".

Quase todos os aspectos do Marketing envolvem questões éticas. No entanto, a ética é bastante subjectiva, pelo que pessoas bem intencionadas podem não concordar honestamente com a acção mais correcta numa situação em particular.

O "boom" em e-commerce e a Internet mobile tem levantado muitas questões éticas sociais, principalmente ao nível da invasão de privacidade visto que os dados das pessoas quando colocados on-line são abusivamente aproveitados e utilizados pelo Marketing.
5,039