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Compreendo
Wi-Fi ou o sonho de uma Internet livre

Wi-Fi ou o sonho de uma Internet livre

segunda-feira, 13 dezembro, 2004 /
Wi-Fi ou o sonho de uma Internet livre O padrão 802.11, nas suas diferentes versões, parece determinado para se converter numa nova manifestação maciça da tecnologia ao serviço da cidadania e não do mercado, ou talvez não necessária e totalmente do mercado. O acesso à banda larga sem o condicionante da ligação por fios é uma realidade desde há já alguns anos. No entanto, nos últimos meses, foi recuperado o velho debate sobre UMTS vs. Wi-Fi. E tudo provocado pelo início do serviço UMTS a nível europeu.

Cumpre relembrar que o serviço da chamada 3G é fornecido pelos operadores após grandes investimentos em termos económicos, de rede e em termos de tempo. Pelo contrário, o Wi-Fi nasceu com a vocação de aproximar das pessoas o acesso à banda larga da Internet de forma gratuita (ou com custos mínimos), graças à liberalização do espectro de frequência de rádio de 2,4 Ghz.

Contudo, os esforços dos operadores quer móveis quer fixos para controlar e explorar comercialmente este serviço são conhecidos e até notáveis. Apesar do florescimento de «hotspots» (pontos de ligação Wi-Fi) em aeroportos, hotéis de luxo e até em restaurantes de comida rápida, parece que a adesão dos clientes não é muito elevada. De momento, admite-se a ideia que os utentes não estão dispostos a pagar uma tarifa horária para usufruir de uma ligação online de banda larga, tal como se faz ainda com o serviço de banda estreita.

Num artigo assinado por Joanna Glasner, John Yunker, um analista da Byte Level Research, afirma objectivamente que «a tecnologia Wi-Fi quer ser gratuita». Segundo a mesma fonte, no futuro, o acesso wireless (sem fios) a serviços de Internet será gratuito, da mesma forma que já hoje o são a televisão ou o ar condicionado nos hotéis.

Actualmente, há quase 200 hotspots espalhados pelo país fora, até nos restaurantes duma conhecida rede de franchising estrangeira de comida rápida. Ao consultarmos o localizador de hotspots wifinetnews.com, descobrimos que na região de Lisboa existem 122 pontos de ligação comerciais. Na zona do Porto, existem 40 hotspots comerciais. A maioria destes pontos são disponibilizados pela Portugal Telecom e, em menor medida, pela Vodafone e outros fornecedores . Os preços do serviço variam entre os 7,95 e os 12,00 euros por dia.

Em termos comparativos, os nossos vizinhos espanhóis usufruem dumas tarifas de, por exemplo, 15 euros por dia ou vouchers de 20 euros por mês, dependendo do fornecedor. Os franceses podem optar por tarifas de diferentes operadores compreendidas entre os 7 e os 10 euros por hora, 25 euros por dia. Isto, de acordo com uma rápida consulta pelas informações disponibilizadas pelo Wi-Fi Locator.

A pergunta que toda a gente se coloca logo a seguir à leitura destes dados é: Quem está disposto a pagar 10 ou 12 euros por um dia de ligação à Internet, num lugar onde possivelmente só precise duma hora? A resposta parece obvia.

Neste panorama, parece lógico pensar que o negócio vai passar pelas ofertas empresariais, particularmente pelas dirigidas às PMEs. As razões jogam a favor do Wi-Fi. A instalação duma rede wireless costuma ser mais económica e flexível do que a duma rede tradicional por cabo. Um dos obstáculos que esta tecnologia teve de ultrapassar foi o da segurança.

Durante algum tempo, nos Estados Unidos, esteve na moda um «desporto» inédito - a caça de cobertura Wi-Fi. Isto é, as pessoas andavam a guiar os seus carros munidas de um indicador de cobertura de rede. Quando este aparelho registava sinal, a pessoa estacionava o automóvel e utilizava a rede wireless da empresa mais próxima.

Actualmente, as técnicas de encriptação para redes Wi-Fi oferecem uma alta protecção quer dos dados que são transportados através delas quer do acesso ao serviço propriamente dito.

No entanto, é nos Estados Unidos, principalmente, que estão a ser repensadas estratégias para tornar o serviço comercial mais apelativo aos possíveis utilizadores. Por cá, ao contrário do que se possa pensar, Portugal é um dos países pioneiros a pôr em prática uma interessante aplicação que pretende ligar a comunidade universitária através de uma rede sem fios. A chamada e-U (Universidade electrónica) é uma iniciativa pública que visa tornar-se um «case study» a nível europeu sobre e-learning. Isto significa que, dentro dos campus de inúmeras universidades portuguesas, a comunidade tem acesso à Net e a outros serviços docentes.
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