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Projecto Galileo: agora ou nunca

Projecto Galileo: agora ou nunca

terça-feira, 01 abril, 2003 /
O projecto europeu para colocar satélites de comunicação em órbitra corre o risco de se atrasar se não for lançado um aparelho este ano. A informação foi obtida à margem do Conselho ministerial dos Transportes e Telecomunicações da União Europeia (UE), onde os ministros e a comissária da tutela, Loyola de Palacio, fizeram um ponto da situação sobre o projecto Galileo. "A UE reservou [na Conferência Mundial das Telecomunicações realizada em 2000] uma parte do espectro radioeléctrico e se não avançar já este ano com um satélite perde o direito de usar as frequências", referem as fontes.

O projecto Galileo - para o qual "há excesso de dinheiro", oriundo dos Estados membros e de Bruxelas, garantiram as fontes - tem registado atrasos sucessivos devido às exigências de alguns Estados membros em aumentar a sua quota de participação. Alemanha, Itália, França, Reino Unido e agora a Espanha tentam aumentar a sua percentagem num negócio europeu de muitos milhões de euros e com um grande potencial de desenvolvimento industrial dos Estados membros envolvidos, destinado a concorrer directamente com o sistema de navegação por satélite norte- americano homólogo GPS.

Este aspecto é particularmente sensível nesta altura, devido à guerra contra o Iraque e ao uso intensivo do sinal militar do GPS para guiar as múltiplas bombas e mísseis inteligentes do arsenal norte-americano. Nestas ocasiões, Washington perturba a componente civil do GPS, para evitar que o inimigo a possa utilizar para guiar as suas próprias armas. Com a chegada do Galileo ao mercado, Washington alega que um seu inimigo poderá usar a rede europeia de satélites em caso de guerra para atingir as suas forças.

O Galileo é um sistema de navegação por satélite que deverá garantir a independência da Europa relativamente aos homólogos GPS (hegemónico) e Glonass (russo). Após uma fase de pré-desenvolvimento durante a qual se colocariam em órbita quatro satélites e se activariam equipamentos para serviços preliminares, a rede Galileo continuaria a desenvolver-se até 2008, através de duas dezenas de satélites, envolvendo custos globais da ordem dos 3.200 a 3.300 milhões de euros. Os planos existentes apontam para a atribuição de uma percentagem de 17,5 por cento do projecto à Alemanha, Itália, França e Reino Unido. A Espanha surgiu entretanto a reivindicar também uma participação mais expressiva, alinhando-se ao lado dos "quatro grandes". A participação de Portugal vai rondar os 2,7 por cento do total do programa.
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