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Compreendo
Os primeiros passos do GPRS

Os primeiros passos do GPRS

quarta-feira, 30 abril, 2003 /
Para muitos utilizadores, será apenas mais uma funcionalidade; para outros, significa a mobilidade total à Internet; para as operadoras, é a consolidação do negócio do tráfego de dados. Mas será o GPRS atraente?

Apesar de ter sido disponibilizado comercialmente nos finais de 2000, só há pouco tempo é que o General Packet Radio Service (GPRS) foi verdadeiramente assimilado pelo mercado. É certo que ainda não o foi pela grande maioria dos clientes das redes móveis mas, para a faixa mais interessante - do ponto de vista das operadoras -, o tráfego de dados pode crescer a bom ritmo. Tudo depende da evolução dos preços e de que forma o UMTS se vai apresentar.

A TMN foi a primeira operadora a apresentar comercialmente o GPRS, a 8 de Novembro de 2000, por altura da Expotelecom. Acontece que a tecnologia não foi devidamente explorada - nos primeiros tempos - entre os fabricantes de terminais, o que acabou por originar uma situação desagradável, sobretudo para as próprias operadoras, que tiveram o investimento feito na actualização da rede GSM: havia rede mas não havia um leque de escolha de telemóveis suficiente que pudesse seduzir os clientes mais interessados.

E assim foi passando o tempo e só há menos de um ano, movido até pelo crescimento do mercado dos PDA`s e das respectivas compatibilidades entre dispositivos móveis, é que o GPRS começou a ganhar alguma expressão no segmento das comunicações móveis. É de crer que muitos dos clientes já tivessem ouvido falar mas não soubessem do que se tratava. No entanto, para os utilizadores mais frequentes do tráfego de dados, a questão não terá tanto a ver com as velocidades anunciadas mas com o facto de permitir aceder à Internet - mesmo à rede global «www» - em mobilidade total... sem fios.

No entanto, a questão que Telemoveis.com coloca é simples: já compensa trocar a Internet doméstica do cabo ou do cobre telefónico pelos sistemas GPRS das redes móveis? Estará na hora de trocar o velho modem 56k por um telemóvel e o computador de mesa por um PC portátil? Ou será que ainda se está numa fase de «deixa-ver-o-que-isto-dá»? Comparámos as tabelas de preços e, à primeira vista, a operadora móvel da Portugal Telecom leva vantagem sobre a concorrência. Quanto mais não seja, pelo facto de tanto a Vodafone como a Optimus cobrarem uma taxa inicial de 10Kb mínimos cada vez que se quiser aceder (quer em WAP quer em Internet) à rede GPRS. Válido para todos os planos (contratos ou pré-pagos).

Tomemos como exemplo uma conta de correio electrónico acedida via telemóvel. Cada vez que for necessário, ou desejado, verificar a existência - ou não - de novas mensagens, o simples pedido à rede para aceder à caixa gera um tráfego mínimo de 2Kb (um para o envio do pedido de verificação e outro para a recepção da informação), partindo do princípio que não há novas mensagens. Imaginando, para os três operadores, que somos clientes de contrato e usamos a tarifa base (sem qualquer mensalidade e sem direito a qualquer «mega» de tráfego incluído) em horário normal, esta simples tarefa de ver se há ou não novas mensagens na caixa de correio associado ao telemóvel custaria:

TMN - 0,0160 euros
Vodafone - 0,0700 euros
Optimus - 0,0476 euros

A diferença entre os clientes 91 e os 96 e 93 é explicada pelo facto da Vodafone cobrar, sempre, uma taxa de activação mínima de 10Kb de tráfego de dados, mesmo que a operação se tenha ficado pela transferência mínima de 2Kb. O fosso torna-se ainda maior quando a factura diz respeito a utilizadores de cartões recarregáveis. Curiosamente, a operadora da Portugal Telecom, no plano base, não faz distinção entre clientes pré-pagos e pós-pagos, o que a coloca desde logo em vantagem sobre a concorrência. Isto é, um cliente Mimo (p.e.) pagaria pela operação atrás descrita os mesmos 0,016 euros; um cliente Vitamina ou Yorn os mesmos 0,07 euros; e os clientes Boomerang, Livre ou Zoom 0,238 euros, uma vez que também neste caso passaria a vigorar o princípio dos 10KB de taxação inicial. Aliás, no caso dos pré-pagos, tanto a Vodafone como a Optimus cobram aos seus clientes períodos únicos de taxação de 10KB (11KB, nestes casos, já contam como 20KB), contrapondo à TMN, em que a facturação do GPRS é sempre feita à unidade de KB.

Nem a TMN nem a Optimus fazem diferença no tipo de horário a que o cliente acede às respectivas redes de dados. No entanto, a Vodafone reduz substancialmente o valor do seu tarifário em função da hora do dia a que transfere dados através da rede móvel: aos fins de semana e feriados, o preço por cada KB transferido desce vertiginosamente para os 0,0027 euros tornando-se, deste modo, na rede mais económica em termos de Internet por GPRS, em utilização intensa, sem qualquer tipo de mensalidade base. 48 centavos (nos antigos escudos) por cada KB é, praticamente, insignificante. Mas note-se que é só para acessos exaustivos. Para quem utiliza o correio electrónico associado a um telemóvel, só para não estar limitado aos 160 caracteres das SMS`s, então o melhor tarifário é o da TMN. Isto para clientes pós-pagos, porque em pré-pagos, os argumentos da operadora 96 atiram a concorrência para canto.

Este estudo comparativo teve como ponto de partida os tarifários GPRS das três operadoras móveis nacionais e que estão acessíveis através dos links:

TMN
http://www.tmn.pt/servicos/gprs/tarifario/gprs_base.shtml

Vodafone
http://www.vodafone.pt/main/Servicos+Roaming/Servicos/Dados/GPRS.htm#DescricaoCompleta

Optimus
http://www.optimus.pt/campanhas/gprs.asp?sec=tar

E foi escolhido, como exemplo, tal como está referido no artigo, um cliente de plano base sem qualquer mensalidade ou direito a MB de tráfego suplementar. Este artigo diz ainda, e só, respeito a acessos à Internet através de rede GPRS e não navegação WAP, que representa em qualquer uma das três operadoras um tarifário diferente.
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