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GPRS - A solução para os problemas do WAP

GPRS - A solução para os problemas do WAP

quarta-feira, 02 agosto, 2000 /
Leia o que precisa saber sobre a nova tecnologia a ser disponibilizada pelas operadoras ainda este ano.

Até agora, a transmissão de dados em telemóveis encontrou-se sempre atrás do serviço de voz. O primeiro serviço WAP em Portugal apenas apareceu este ano e o SMS só começou a ser utilizado em grande escala há pouco mais de um ano. Apesar dos fabricantes já se encontrarem a desenvolver a terceira geração de telemóveis (UMTS), a qual permitirá avanços sem precedentes no campo da Internet móvel, existem outras tecnologias que procuram fazer a ponte entre a 2º e 3º geração, em termos de transmissão de serviços de dados. O General Packet Radio Service (GPRS) é um destes novos avanços, que são apelidados de 2.5 G (segunda geração e meia) devido a possibilitarem um maior leque de opções do que os sistemas de 2ª geração mas ainda se situarem atrás do UMTS em termos de vídeo e multimédia. 

As pernas curtas do GSM
Um pequeno salto de gigante
Como funciona o GPRS?
Mas quais as aplicações?
Limitações do GPRS
GPRS em Portugal

Os sistemas GSM foram desenhados originalmente para transportarem voz, mas com o tempo a tecnologia possibilitou-lhes também operar em modo de transferência de dados (um destas aplicações é o WAP). Os terminais operam por Comutação de Circuitos, podendo esta ser visualizada como dois interruptores que precisam de estar ligados para que exista transmissão de informação. Isto leva a que as ligações possuam tempos de espera, devido à necessidade dos dois modems estarem conectados um com o outro simultaneamente e que a chamada esteja sempre em curso, mesmo quando não existe transferência de dados. Esta forma de transmissão é extremamente limitada em termos de capacidade, apesar de estarem a ser desenvolvidas tecnologias como o HSCSD (High Speed Circuit Switched Data) a qual permitirá uma velocidade máxima de 56 Kbps. Outro problema é o facto de não ser possível esta tecnologia suportar o padrão IP, o que impede o acesso directo à Internet.

Já tentou ligar-se a um serviço WAP e ficou frustrado com o tempo que demorou a fazer a ligação? Ou com as limitações do sistema em termos de gráficos? Isto para não falar de ser preciso estar sempre a voltar a ligar ao servidor sempre que se pretende ver uma outra coisa. As discussões sobre o modelo de transferência de dados para o GSM começaram a ser discutidas em 1992/93, incidindo-se os estudos sobre a necessidade de um sistema que fosse baseado na transmissão de dados por pacotes (IP). Em 1998 o ETSI (European Telecommunications Standards Institute), a entidade reguladora europeia, concluíu os seus estudos sobre a definição das normas do novo sistema, com os operadores e fabricantes a efectuarem ensaios desde o ano passado.  O GPRS irá suavizar muitos dos problemas que actualmente afectam a Internet móvel, ao permitir uma maior capacidade de transmissão de dados. Em comparação com o WAP, cuja velocidade é estabelecida pelas operadoras em 9.6 Kbps, o GPRS irá permitir uma velocidade máxima teórica de 177.2 Kbps, caso utilize todos os recursos do sistema. Outra vantagem é a das ligações ao servidor serem feitas instantaneamente, devido aos utilizadores estarem sempre conectados. Finalmente, o GPRS irá permitir toda uma nova série de aplicações dentro dos telemóveis, apenas acessíveis até agora a quem possuisse um computador de secretária, tais como a visualização de páginas da Web, ftp, chatting, animação, etc.

Em resumo, o GPRS trará consigo os seguintes benefícios:

  • Ligação permanente (sempre "on-line")
  • Estabelecimento instântaneo da ligação
  • Possibilidade da cobrança do serviço ser feita com base na informação transmitida/recebida, ao invés de ser contabilizado o tempo em que se está ligado
  • Uma progressiva maior velocidade de ligação 

O GPRS vem complementar o GSM, adicionando um sistema baseado na transmissão de pacotes de dados  à rede já existente. O processo é feito de forma bastante simples em relação ao que seria de  esperare, sendo apenas necessário o acréscimo de alguns elementos à infraestrutura já existente e um "upgrade" de parte do "software" utilizado na rede. 

Num sistema IP, os dados são divididos em pacotes, sendo estes depois enviados separadamente. A informação viaja através da rede até chegar ao seu destino, acabando por ser aí reconstituída e apresentada na sua forma original. Todas as peças que compõem os dados estão relacionadas uma com a outra, mas a forma como viajam e são reagrupadas varia. Isto possibilita uma utilização mais eficiente do espectro de rádio disponível, devido a não ser necessária que um canal de rádio seja utilizado exclusivamente para a transmissão de um ponto para o outro. Os pacotes, ao viajarem, vão utilizando as frequências disponíveis, o que permite que um número elevado de utilizadores de GPRS possam partilhar a mesma largura de banda e a mesma célula.

A utilização do protocolo IP possibilita o acesso directo à Internet a partir do telemóvel. As redes móveis  passarão a utilizar o mesmo sistema de transmissão de dados que a Internet, o que permitirá que todos os serviços disponíveis actualmente "online" possam ser acedidos num terminal móvel, sem a necessidade de uma linguagem mais simplificada como a utilizada no WAP. Devido a tal, cada telemóvel GPRS poderá vir a ter o seu próprio endereço IP e ser identificado na rede por esse número. 

O GPRS permite ainda uma maior eficiência na utilização da rede GSM devido a utilizar e distribuir mais eficientemente as escassas frequências de rádio disponíveis, permitindo que os utilizadores possuam uma ligação permanente (apesar de poder não estar a ser utilizada). Ao mesmo tempo permite aliviar o tráfego nos sistemas GSM e SMS, devido a que parte da informação que utiliza estes sistemas passar a ser transmitida através do sistema GPRS.

A implementação da tecnologia GPRS irá desenvolver-se por fases, devido às próprias limitações que a tecnologia possui e à aplicação de soluções para as mesmas. Numa primeira fase será destinada apenas para dados, sendo depois utilizada na transporte de voz (apesar de não simultaneamente com os dados) e finalmente a transmissão conjunta de voz e dados. 

Entre as várias possibilidades oferecidas pelo GPRS incluem-se

  • "Chat". A Internet está pejada de salas de conversa, nas quais é possível discutir todo o tipo de assuntos. Será possível aceder aos "chats" já existentes, ao invés de ter de se criar salas destinadas exclusivamente para utilizadores que estejam a utilizar terminais móveis. 
  • "Web Browsing". Com o GPRS torna-se possível aceder directamente a páginas escritas em HTML e ter acesso ao todos os conteúdos dos sites, incluindo imagens. 
  • WAP sobre GPRS. A tecnologia pode ser utilizada para complementar o acesso a serviços WAP, permitindo ligação quase imediata e um "download" de informação mais rápido.  
  • Imagens. Será possível receber e visualizar fotografias, postais, assim como enviar imagens tiradas por câmeras digitais. 
  • Partilha/Transferência de documentos. Acesso a FTPs, etc.
  • "E-mail". As mensagens são recebidas de imediato no telemóvel, não sendo necessário ligar ao servidor para verificar se há novos "e-mails". 
  • Áudio. Ficheiros de voz e som poderão ser enviados utilizando o GPRS
  • Outras possíveis aplicações incluem o uso do telemóvel para controlar electrodomésticos equipados com a tecnologia Bluetooth a partir de fora de casa, etc.

Apesar do salto que esta tecnologia representa, em termos de velocidade e de capacidades, as limitações existentes em termos de rede impedem  que as velocidades máximas possam ser alcançadas. O modo de funcionamento do sistema GSM divide as frequências disponíveis em "timeslots" (espaços de tempo), atribuindo de seguida esses espaços a chamadas telefónicas. Isto permite que cada frequência possa transportar vários canais de dados. Para atingir o limite máximo de 172.2 Kbps seria necessário que as operadoras destinassem todos os recursos para uma única chamada GPRS (atribuindo-lhe os oito "timeslots"). Para além disto ser improvável  de acontecer, os primeiros terminais GPRS devem ser limitados em termos do número de "timeslots" que podem suportar. Adicionalmente, as chamadas de GPRS e de voz utilizam os mesmos recursos de rede, o que significa que um canal que esteja a transmitir dados não poderá ser utilizado para uma chamada telefónica normal.

O resultado prático será que, inicialmente, as velocidades deverão rondar os 28 Kbps, com este valor a subir  à medida que as operadoras e fabricantes procedem a melhorias na rede e nos terminais e disponibilizem mais "timeslots". Mas uma outra tecnologia encontra-se a ser investigada que permitirá aos sistemas de internet móvel carregarem mais uma vez no pedal do acelerador: o EDGE (Enhanced Data rate for GSM Evolution). O EDGE foi anunciado como a solução final para o GSM em termos de dados, estando a ser desenhado com vista a ser utilizado em conjunto com o GPRS. É um sistema de alta velocidade que permitirá triplicar os valores atingidos com o GPRS.

Uma questão que está a ser levantada é a nível da chamada informação não solicitada. Os utilizadores da Internet recebem frequentemente dados que não pediram, tais como anúncios ou simplesmente mensagens das quais não conhecem o destinatário. Isto pode levar a que esta informação chegue a um terminal móvel e não só a operadora pode não ter forma de cobrar este tráfico devido a não conhecer com remetente, ou o destinatário pode ter que pagar por informação que não pediu e que não lhe interessa. O problema já levou a os fabricantes considerem a hipótese dos primeiros terminais não puderem receber chamadas GPRS, apenas efectuá-las, o que limitaria as vantagens que o sistema irá trazer.

O protocolo IP tem inerente uma outra questão: o facto dos pacotes viajarem separadamente, utilizando direcções diferentes, pode levar os mesmos se percam ou se danifiquem no meio do tráfico electrónico. Apesar da tecnologia GPRS já prever estes problemas e aplicar estratégias de retransmissão e de integridade, podem acontecer demoras e lapsos na recepção de informação. .

Ao se olhar para os modelos já anunciados, uma outra questão surge: o tamanho dos ecrãns e a disponibilização de cores. O GPRS irá ser desenvolvido de forma a ser utilizado nos mesmos moldes que o WAP, ou serão de esperar novidades em termos de acesso? Existem algumas excepções, como o Ericsson Communicator, o qual possui um visor de alta definição.Uma possibilidade já anunciada é a de se utilizar o telemóvel como modem para um computador de bolso, no qual se pode ter acesso à Internet, através de uma ligação de infravermelhos.  Contudo, as limitações físicas em termos de terminais deverão significar que, apesar dos desenvolvimentos a nível da transmissão, os terminais GPRS ainda se encontrem a anos luz se comparados com o acesso a partir de um computador de secretária. Finalmente, existem atrasos, a nível dos fabricantes, na disponibilização de terminais equipados com esta nova tecnologia. Nesta página encontram-se dois exemplos de telemóveis equipados com GPRS. Contudo, a data da sua disponibilização por parte dos fabricante ainda não foi anunciada.

Esta primeira fase do GPRS não permitirá ainda que se estabeleçam ligações multiponto - a capacidade de enviar informação para múltiplos telemóveis GPRS ao mesmo tempo. Esta capacidade só deverá estar disponível em 2002, com a chamada fase 2 do GPRS, no qual também deverá ser introduzido a nível comercial a tecnologia EDGE.

As três operadoras portuguesas já anunciaram a sua intenção de disponibilizar a tecnologia GPRS até ao final do ano, estando neste momento em curso as fases de testes e de "upgrade" a nível de redes. A Telecel pretende lançar o novo serviço a partir do terceiro trimestre de 2000, a Optimus no início do ultímo trimestre (utilizando equipamentos da Nokia) e a TMN no segundo semestre deste ano (com a parceria da Alcatel). Contudo, deverão existir problemas a nível de fornecimento de terminais equipados com esta tecnologia por parte dos fabricantes, dilema esse que só deverá estar resolvido no início de 2001. 

André Galvão

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