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Compreendo
Era uma vez a tarifa fixa

Era uma vez a tarifa fixa

quarta-feira, 04 abril, 2001 /
Um dia brilhará para todos nós... A disponibilização pelos operadores de um tarifário fixo de acesso à internet promete ser uma das maiores histórias da carochinha do processo de alegada contaminação do nosso país pelo vírus da "sociedade da informação" que se não mata parece não ter também grande valor proteico.

O problema é que neste conto de fadas, em que "era uma vez" um primeiro-ministro muito lambão e um ministro da ciência, porrieri tipi optimista, que bufavam, sopravam e diziam: «ou me dão a tarifa fixa ou mando a casa abaixo» revelaram uma capacidade de sopro muito aquém das barreiras levantadas pela reserva das operadoras.

Face à inexistência de vontade por parte dos intervenientes nada sucederá que não seja no limite das possibilidades legais. Isto é, volvido um mês, parece agora evidente que as expectativas mais pessimistas se vão concretizar e a oferta das flate rates só se irá concretizar no final do mês que vem e generalizar lá para o Verão.

Alguns operadores gostam de argumentar não haver neste atraso mal maior. Afinal, dizem, flate rate já há e é a Netcabo. Escamoteiam, porém, deliberadamente que:

  • Nem o cabo cobre o país todo;
  • Nem toda a cobertura por cabo é bidireccional;
  • Nem toda a gente deseja ser obrigada a instalar TV Cabo para aceder ao serviço internet;
  • Nem todos têm disponibilidade para investir as dezenas de contos em hardware (ou em prestações de amortização) que o serviço impõe;
  • A taxa de penetração do cabo em Portugal é das mais baixas da Europa. Muito contrariamente ao que em dada altura alguns nos quiseram fazer querer, que o acordo não havia sido atingido por má fé da PT, fica demonstrado que se não houve tarifa plana mais cedo é porque nenhum dos ISPs revela nisso interesse.

    Com a excepção da Teleweb, que ainda assim, tendo arriscado adiantar valores, também não passou ainda do manifesto de intenções, estão todos quedos e mudos.

    Seguramente, também, porque sabem que os valores a praticar ficarão muito aquém das expectativas do consumidor. E por isso - e isso apenas - se deviam penitenciar!

    Quanto ao ADSL, com taxas mensais a partir de nove contos, para a largura de banda mais baixa contratada; limitado aos nichos servidos por dadas centrais; com linhas de atendimento a funcionar olimpicamente apenas nos dias úteis, e nem sequer nas 24 horas do dia; sem direito a uma única caixa de correio gratuita - quando qualquer acesso gratuito as fornece - está ainda longe de ser o grande viático que vai levar a internet às massas. Até porque os investimentos em equipamento, seja adquirindo-o à cabeça, seja em regime de amortização, são elevados quanto baste.

    Sociedade da Informação? Vão contar essa a outro!

    HV

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