NOTA! Este site utiliza cookies e tecnologias similares.

Se não alterar as configurações do seu navegador, está a concordar com a sua utilização.

Compreendo
Entrevista com Martin Cooper

Entrevista com Martin Cooper

segunda-feira, 13 dezembro, 2004 /
Entrevista com Martin Cooper Martin Cooper, o pai do telemóvel e uma das maiores referências mundiais no que toca a telecomunicações, acedeu dar uma entrevista ao Telemoveis.com. Sem restrições, fala do passado, do futuro e de um sonho que ainda espera realizar.

 

Como não bastasse o próprio nome e a reputação que acarreta, a entrevista com Martin Cooper revela um olhar crítico do guru acerca de muito o que se tem vindo a fazer na indústria de telecomunicações. Contudo, o pai do telemóvel revela confiança e esperança no futuro.

Telemoveis.com: Como se sentiu quando, pela primeira vez na História, efectuou uma chamada a partir de um dispositivo móvel e, ironicamente, para o seu maior rival na Bell Labs? Teve consciência, naquele momento, do passo que estava a tomar no sentido da «Aldeia Global» e da dimensão que o fenómeno poderia adquirir em tão poucos anos, quer a nível da economia, quer a nível do cidadão comum?
Martin Cooper: Claro, sabíamos que estávamos a introduzir uma tecnologia na sociedade que iria mudar o modo de vida das pessoas. Sabíamos que as pessoas queriam ser livres para comunicar onde quer que estivessem e não acorrentadas a uma secretária ou atreladas a um automóvel. Não conseguíamos compreender como uma companhia enorme como a ATT podia estar tão atrasada na sua forma de pensar. Em retrospectiva, é fácil perceber porque a ATT, que era a maior empresa do mundo em 1973, quando inventámos o telefone celular portátil, encolheu para dimensões menores e está virtualmente a desaparecer do negócio sem fios.

Não poderíamos imaginar, contudo, que os telemóveis se tornariam tão omnipresentes. É preciso não esquecer que, mesmo em 1983, 10 anos após a invenção do telefone celular portátil, este aparelho custava 4000 dólares. Teria sido difícil imaginar um mundo onde estes telefones fossem dados às pessoas para utilizar e pagar apenas os minutos de conversação.

T: Como vê a evolução das comunicações móveis desde aquele histórico dia 3 de Abril de 1973 até hoje?

MC: A criação do telefone celular portátil, em 1973, foi um importante passo em frente, tal como o foi a oferta do serviço comercial em 1983. Mas a tecnologia continua a avançar a passos largos enquanto a indústria de telecomunicações se move mais devagar do que eu esperava. A próxima grande evolução nas comunicações vai ser a Internet sem fios. Isto é, o acesso à Internet com a mesma liberdade proporcionada pela telefonia celular. A Internet sem fios é inevitável e trará mudanças ainda maiores à nossa sociedade que os telemóveis.


T: A vídeo-conferência foi apresentada em Portugal e Espanha como a primeira killer application do UMTS. De facto, existe alguma confusão no utilizador final entre 3G e vídeo-conferência. Quer isto dizer que, para alguns potenciais clientes do serviço 3G, um terminal 3G é um terminal com vídeo-conferência e não um terminal que também pode ter vídeo-conferência. Como vê o terminal móvel do futuro?

MC: A apresentação da vídeo-conferência como aplicação 3G é vergonhosa. O 3G não tem capacidade para providenciar tal serviço de forma a trazer valor económico. O dispositivo móvel do futuro será optimizado não como uma solução universal - como o 3G foi falsamente apresentado - mas como solução para uma imensidão de problemas específicos. A indústria não sabe, mesmo hoje, uma geração após o anúncio do 3G, como fazer vídeo-conferência de forma económica.

Felizmente, há um grande número de outras aplicações sem fios que serão úteis às pessoas e economicamente viáveis para os consumidores. A disponibilização de música e clips de vídeo (não filmes) e a transmissão de fotografias são possibilidades que podem ser suportadas pelo sistema Internet sem fios de nova geração. O 3G pode suportar algumas destas possibilidades, mas é demasiado caro e muito lento para aplicações que requerem grandes quantidades de dados. As aplicações 3G passarão mais pela transmissão de mensagens e pela carteira electrónica.

T: Qual pensa ser o papel da Voice over IP no futuro das telecomunicações, num contexto da convergência das redes?

MC: O Voice over IP (VoIP) vai ter uma profunda influência em toda a indústria de telecomunicações. A infra-estrutura para o IP, a Internet, é muito mais barata que a rede que tem sido a base da indústria dos telefones nos últimos 100 anos. É tempo de avançar; o VoIP fará, certamente, parte da próxima geração. O VoIP deveria ser causa de preocupações sérias para todos os distribuidores, com e sem linhas, que utilizam a rede existente. A propósito, não gosto do termo «convergência de redes.» Na realidade, estamos a assistir a uma divergência de aplicações e a muitas tecnologias diferentes optimizadas para cada uma destas aplicações. Não há outra indústria onde uma única tecnologia abarque todas as aplicações. Isto aplica-se na totalidade às telecomunicações. Estamos prestes a entrar numa revolução onde a voz não é a única aplicação e a rede tradicional não é a única solução. Haverá múltiplas aplicações e diversas soluções.

T: Qual é, actualmente, o seu principal projecto? Qual a grande aposta da ArrayComm.?

MC: O meu principal projecto, actualmente, é realizar o sonho de uma Internet sem fios que dê às pessoas acesso à Web com total liberdade de movimentos a custos bastante reduzidos. Já tivemos uma pequena amostra com o Wi-Fi, mas o Wi-Fi restringe-se a LANs de alcance reduzido.

Para realizar verdadeiramente este sonho, tem de haver cobertura omnipresente em todas as cidades e países. O acesso sem fios à Web tem de ser, pelo menos, tão omnipresente para a Internet como o é para o telemóvel actualmente.

A ArrayComm inventou uma tecnologia, denominada «antena inteligente», que será um elemento crucial na Internet sem fios da próxima geração. Será possível ver a tecnologia da ArrayComm em soluções como a WiMAX, que está a ser promovida pela Intel e outros fabricantes, e a iBurst, na Austrália e África do Sul, que é fabricada pela japonesa Kyocera.

Artigos relacionados:

Artigo
Noticia

 

44,694