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Edigma. “O touch é o interface certo para o futuro”

Edigma. “O touch é o interface certo para o futuro”

quinta-feira, 12 fevereiro, 2015 /
Edigma. “O touch é o interface certo para o futuro”

A Edigma é a empresa responsável pela Skin Ultra, uma tecnologia que traz sensibilidade ao toque a ecrãs de grandes dimensões

*Artigo publicado também no iOnline


« À televisão fomos buscar o tamanho e ao tablet o conceito touch », referiu Miguel Fonseca, CEO da Edigma, aquando da apresentação oficial desta tecnologia, ainda em 2014.

A empresa, com sede em Braga, é responsável pelo desenvolvimento de uma tecnologia capaz de transformar televisões de grandes dimensões - de 40 ou mais polegadas - em “mega tablets”, com uma experiência de toque semelhante à de dispositivos móveis como smartphones ou tablets convencionais.

A tecnologia portuguesa também não passou despercebida a fabricantes como a LG, Samsung, Toshiba ou Panasonic, que pretendem adoptá-la nos seus dispositivos. As expectativas da Edigma face a esta sua tecnologia também se revelam ambiciosas: a empresa espera ultrapassar uma facturação de 100 milhões de euros até 2020, altura em que estima que a Skin Ultra passe a representar 75% do seu volume de negócios.


A Skin Ultra encontrou-se em exibição na Integrated Systems Europe (ISE) de Amesterdão, na Holanda, até ao dia 12 de Fevereiro. Ao contrário do que aconteceu na CES 2015, em Las Vegas, a exibição desta tecnologia não foi cancelada.

O motivo para este cancelamento, diz-nos Miguel Fonseca, está no perfeccionismo dos parceiros asiáticos da empresa. « Têm os seus próprios hábitos e nós temos que nos habituar [aos deles]. Eles gostam de testar tudo ao limite ».

Esta é uma metodologia que requer paciência e tempo, em jeito de contraste com a vontade ocidental de fazer as coisas acontecerem o mais rapidamente possível. « Eles têm que passar por todos aqueles processos. Qualquer coisa que eles façam tem que ter aprovação. Tomam muitas decisões em grupo, nunca é apenas uma pessoa a tomar a decisão. E têm todos de estar de acordo ».

Esta é uma questão que não está tão dependente do estado de desenvolvimento de uma tecnologia, mas com o modo de estar das grandes empresas asiáticas.


Sobre a Skin Ultra

A Skin Ultra é uma película que pode ser colada por detrás do vidro das televisões, convertendo-as em aparelhos sensíveis ao toque. Apesar de oferecer uma resolução até 3 vezes superior à tecnologia presente em dispositivos móveis convencionais, em termos de desempenho revela uma fluidez equivalente.

A Skin Ultra permite a conjugação de até 100 toques em simultâneo, a uma velocidade de 5 milissegundos. Segundo dados avançados pela empresa no ano passado, a sua disponibilidade inicial estará focada em ecrãs com 5 tamanhos diferentes - de 40, 42, 47, 50 e 55 polegadas.

Mas para além de se focar em ecrãs de grandes dimensões, em que aspectos é a Skin Ultra diferente da tecnologia encontrada no ecrã de um tablet/smartphone?


« Os princípios utilizados são muito idênticos. Existem três grandes componentes, aplicáveis tanto num smartphone como num mega tablet », explica-nos Miguel Fonseca. « A primeira é o sensor em si, a que chamamos película. [A película] tem que se ligar a um determinado controlador electrónico para que faça uma interpretação do sinal analógico e o transforme em digital ». Tanto a Skin Ultra como um smartphone têm em comum este aspecto.

« Depois existe o firmware, ou algoritmos, que fazem a interpretação disso e a entregam ao sistema operativo”, continua o CEO. “Quando se trata de um tamanho muito grande, o sensor em si não pode ser o mesmo. Não pode ser usado o mesmo material que é usado num tablet, que apesar de ser muito transparente acaba por não ser electricamente suficiente quando o escalamos a uma grande dimensão. Ou seja - não consegue  interceptar esse sinal do lado esquerdo ou direito numa superfície de 40 ou 50 polegadas ».

IMAGEM


Isto significa que, para ser capaz de pegar na electricidade a esta escala,  a empresa teve que repensar os materiais utilizados. Uma vez que a capacitância (nota: capacidade eléctrica) do sensor electrónico também é diferente , componentes como o controlador electrónico também tiveram que ser repensadas. Alterações como estas tornam-se necessárias para que as componentes utilizadas sejam capazes de entender esta nova escala.

« São formas diferentes de comunicação que exigem elementos diferentes. Só que o resultado final tem de ser o mesmo para o utilizador. Um dos princípios básicos de desenvolvimento implicou que tornássemos isto tão fácil quanto ligar um teclado ou um rato. Com a Skin Ultra passa-se exactamente o mesmo. O software que eu posso usar é o que lá estiver ».


Curva de aprendizagem

Um dos conceitos por detrás desta tecnologia está relacionado com a sua curva de aprendizagem. Ou melhor, com a ausência de uma curva de aprendizagem. « O objectivo é cortar a necessidade de ter uma curva de aprendizagem ».

As tecnologias com uma curva de aprendizagem acentuada tendem a ter a sua própria permanência em risco. Miguel Fonseca dá o exemplo das Smart TV’s capazes de reconhecer gestos, cuja popularização não foi mais abrangente, segundo crê, por essa curva ser demasiado complexa.

« As pessoas não usam porque é uma experiência de aprendizagem muito grande. Há uma experiência ali - nem que seja por 5 minutos - para a qual ninguém parece estar disponível ». Em contrapartida existem televisões onde um utilizador só tem que conectar um rato para poder começar a utilizá-lo de imediato. Isto não requer curva de aprendizagem e, além disso, tem o benefício de se apresentar como uma experiência de utilização familiar.


Os avaliadores mais rigorosos dessa experiência, acredita, são as crianças. « Os miúdos são um excelente exemplo. Se eles não pegam, ninguém pega. A curva de aprendizagem tem de ser zero ».

O CEO da Edigma deu o exemplo da sua filha, na altura com 8 anos, a tentar jogar Angry Birds numa televisão inteligente. « Passados 15 segundos ela diz que ‘isto não funciona’. É o problema desta curva de aprendizagem - as pessoas não estão preparadas, não estão habituadas ao funcionamento daquilo, não dão tempo ».


Desenvolvimento da Skin Ultra

A fase embrionária da tecnologia que deu origem à Skin Ultra teve início em 2004. Na altura, e entre 2004 a 2010, a Edigma recorreu a tecnologias de outras empresas para conseguir fazer coisas idênticas.

Só a partir de 2007 - ano em que foi introduzido o primeiro iPhone - é que a empresa detectou uma lacuna no mercado, o que se traduziu numa janela de oportunidade: a ausência de uma tecnologia idêntica à do iPhone, mas adaptada a um tamanho grande.

Foram necessários dois anos para desenvolver o primeiro protótipo, um produto chamado Skin Multitouch. Seguiram-se outros dois anos adicionais de desenvolvimento, que culminaram com a apresentação da Skin Ultra - uma tecnologia que já inclui « todos os requisitos que toda a gente gostaria de ter num touchscreen grande ».


O processo foi evolutivo e permitiu à empresa obter uma maior percepção do mercado, bem como dos seus requisitos. Também houve apoio e feedback da parte de produtores de ecrãs LCD.

Além das televisões também são esperadas novidades relativas à Skin Ultra também dentro do sector automóvel. Não foram, contudo, adiantados detalhes específicos relativos a esta adopção. Apenas que a Edigma tem “estado a sentir bastante interesse de vários produtores automóveis. Marcas de topo”.

Ficaremos a aguardar por mais novidades.


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