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Compreendo
Meta gosto e partilhe!

Meta gosto e partilhe!

sexta-feira, 30 outubro, 2015 /
Meta gosto e partilhe!

Meta gosto, partilhe e ganhe um iPhone, um S6, uma vespa, um carro, um avião, uma casa e uma pastilha gorila. 


Imagem por: Camp Meryweather
 

Este assunto das páginas falsas e dos prémios falsos já foi discutido por diversas pessoas e quase todas elas explicaram de diversas maneiras como descobrir se uma dessas publicações é falsa, como são criadas e por quem.

Eu não vou explicar essa parte, eu vou explicar, do ponto de vista de negócio, “criativo” e estratégico, porque é que as “pessoas” fazem estas coisas. 


Vamos por partes

- Primeiro criamos uma página no Facebook com um nome de uma marca ou produto conhecido.
- Depois criamos um post com uma promoção maravilhosa, única e criativa com um “call to action”: “Meta gosto e partilhe!”
- Em seguida começamos a partilhar isto pelo Facebook.

Em menos de nada uma página com 0 gostos começa a crescer com as partilhas, com os gostos e com os comentários desse passatempo falso. Basta uma pessoa partilhar para os seus amigos (Cada um de nós tem em media 300) e em menos de nada a página começa a crescer organicamente, sem gastar 1 único cêntimo de Facebook ads.

 

Se repararem nos passatempos falsos, a sua grande maioria tem muito mais de 1000 partilhas (sim, as pessoas acreditam muito em borlas), se pensarmos em “reach”, sem investir, um post de um passatempo falso consegue chegar a 30.000 pessoas. Se dessas 30.000 pessoas, 10% (número pequeno) fizerem gosto nessa página falsa, em apenas 1 dia uma página ganha 3000 gostos. 

Agora, porque raio uma pessoa quer uma página com 3000 gostos com um nome de uma marca que já existe? 

Segundo as regras do facebook é possível mudar o nome de uma página uma vez e o link curto (http://www.facebook.com/aminhapágina), segundo as regras de Facebook, também podemos mudar uma vez.

(Quando é que foi a última vez que alguém tirou o “gosto” de uma página?)

Quando a página já possuir um número bastante elevado de “gostos”, basta a pessoa que a criou, chegar a uma marca, a um café ou a uma nova loja acabadinha de abrir e dizer: 

“Eu consigo criar a sua página Facebook e começar logo com 3000 gostos, só precisa de me pagar x euros.”

Basta pegar nessa página falsa, limpar todo o conteúdo, mudar o nome uma vez porque o Facebook permite, mudar o link curto, porque o facebook permite e já está. Uma página novinha em folha com 3000 gostos.

As 3000 pessoas vão começar a receber conteúdo de uma marca completamente desconhecida, que não lhes interessa, mas o negócio já está feito. 

(Quando é que foi a última vez que alguém tirou o “gosto” de uma página?)

O dono da marca fica muito contente porque tem uma página com fãs e até pensa que tem ali um grande canal para promover os seus produtos, mas na verdade, nenhum dos seus fãs quer saber o que ele vende, porque nem sabe que tem ali o “gosto”, a probabilidade de sucesso é reduzida, mas até descobrir isso, vai levar algum tempo.

O “gosto” numa página só vale alguma coisa a partir do momento que é feito por uma pessoa que realmente se interessa pela mesma. Acumular “gostos” só porque ter muitos é só e apenas um sinal de grandeza não ajuda nenhuma marca ou evento. 

É preferível ter 5000 gostos reais do que ter 50.000 que ninguém sabe quem são. 

Imaginem que a conta Facebook é um Estádio de Futebol e neste momento tem lotação para 50.000 pessoas. A vossa marca é obviamente a vossa equipa. 

Os 5000 gostos são a vossa claque oficial, composta por pessoas que são sócios, pagam bilhete e todos os jogos estão lá a assistir e a gritar pela equipa. As restantes 45.000 podem ser qualquer um: O que vai ao Estádio só para criticar, o adepto de outro clube, a namorada que foi de má vontade, o estrangeiro que visitou o país e foi ver o jogo, podem encontrar bons fãs lá pelo meio, mas nunca terão o mesmo valor de um membro da claque (Sem very lights). 

Esta estratégia é um negócio muito lucrativo para quem o faz, para mais ninguém, muito menos para uma marca. As marcas perdem, as pessoas perdem, o Facebook (como plataforma de comunicação) perde e quem tenta fazer um bom trabalho também perde (muito).

As redes sociais são ecossistemas, se começamos a meter o bedelho onde não somos chamados, vão morrer.
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