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Cyberbullying. Percentagem muito residual de jovens participa agressões

Cyberbullying. Percentagem muito residual de jovens participa agressões

quinta-feira, 20 novembro, 2014 /
Cyberbullying. Percentagem muito residual de jovens participa agressões

José Ilídio de Sá, investigador da Universidade de Aveiro e autor de uma tese de doutoramento focada no fenómeno do Bullying nas escolas, estudou durante um ano o comportamento de estudantes de uma escola secundária de Espinho

*Artigo publicado também no iOnline


O seu universo de estudo, que abrangeu duas turmas, uma do 7º ano e outra do 10º, permitiu ao investigador concluir que o cyberbullying não é apenas uma expansão do bullying físico, mas que apresenta tendência para continuar a crescer. O trabalho foi divulgado esta quarta-feira.

O cyberbullying, ao contrário do fenómeno físico, conta com algumas particularidades que dificultam a sua prevenção: factores como o anonimato, a falta de identidade do elemento agressor e a exposição a uma maior quantidade de observadores presentes, que por sua vez conduz à viralidade das ofensas, agressões e humilhações, dificulta uma intervenção eficiente por parte dos adultos responsáveis.

Estes factores também contribuem para o número expressivo de jovens que não reportam as agressões.

A dificuldade em definir com clareza uma fronteira entre o espaço escolar e o espaço exterior, no segmento digital, também contribui para aumentar os desafios da responsabilização dos agressores. De facto, e até mesmo da perspectiva do agressor, o cyberbullying apresenta tendência - precisamente devido aos factores enumerados - para se tornar numa alternativa preferível ao bullying físico.


Existem igualmente diversos meios à disposição, tanto das vítimas como dos agressores, que funcionam como canais de expressão para estas agressões: smartphones (em especial com câmaras digitais), tablets, computadores e acesso fácil à internet - um meio que, de acordo com o investigador, é cada vez mais “utilizado pelos jovens para ofender terceiros”.

Para combater este problema, o investigador apela a uma maior participação por parte das famílias dos jovens, essencialmente em áreas como a vigilância e monitorização da utilização da internet por parte dos jovens, além de sugerir o estabelecimento de limites aos tempos de utilização - ou até mesmo à própria localização - dos equipamentos.


De acordo com as conclusões deste estudo:

• 31% dos jovens admitiu conhecer um colega que já foi ameaçado ou gozado online
• 13% dos estudantes do 10% já foram ameaçados no espaço digital - uma percentagem mais significativa (19%) em jovens dos Cursos Profissionais
• Um número expressivo de jovens não conhece a identidade do agressor, logo não reporta as agressões
• 45% dos jovens admitiu ter sofrito em silêncio durante períodos de tempo prolongados

No entanto, os jovens que reportaram estes casos:

• Fizeram-no a um colega (42,6%)
• Fizeram-no a um familiar (29,7% - 23,8& aos pais, 5,9& aos irmãos)

"Note-se que apenas uma percentagem muito residual de jovens (13%) mencionou ter participado esta agressão a um adulto da escola", afirmou.


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