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Como o Estado Islâmico domina as redes sociais

Como o Estado Islâmico domina as redes sociais

quinta-feira, 19 novembro, 2015 /
Como o Estado Islâmico domina as redes sociais

As redes sociais têm um papel importante para o Estado Islâmico

 

*Imagem: Library of Law and Liberty

 

 

Vou arriscar e presumir que o leitor já ouviu falar do Estado Islâmico.

Se eu estiver certo uma das associações que fará ao grupo terrorista islâmico será aos famosos vídeos de execuções que começaram a circular na internet ainda em 2014.

 

dois motivos em particular para explicar a viralidade que os infames vídeos têm vindo a obter.

A primeira está relacionada com a brutalidade dos mesmos, que é simplesmente impossível de ignorar. A segunda é mais subtil, mas mostra que a viralidade não foi um mero acaso. De facto, o Estado Islâmico sabe o que faz quando o assunto são redes sociais.

 

As redes sociais são um apoio muito forte para o grupo terrorista na hora de divulgarem propaganda. É através delas que o Estado Islâmico instaura medo nos seus opositores, mas também promove a sua ideologia.

A organização é conhecida por recorrer a fóruns online para promover notícias, vídeos e imagens relacionados com o grupo, mas também a plataformas como o Twitter, onde detém uma larga base de seguidores (que ajudam o Estado Islâmico a promover as suas mensagens).

 

Redes sociais e plataformas menos convencionais também se encontram contempladas na estratégia do grupo.

Segundo o site EA World View, o EI usa plataformas independentes como o Justpaste.it (sediado na Polónia) para publicar os seus conteúdos,

 

Mas o Estado Islânico também usa redes sociais menos convencionais como a Diaspora ou o Quitter, embora na expectativa de que as suas contas/páginas não sejam removidas.

Uma das características mais globais da sua campanha, nota o EA World View, é o suporte para traduções em inglês - isto inclui transcrições e a presença de legendas, tanto em imagens como em vídeos.

 

Sabe-se inclusive que o Estado Islâmico também conta com publicações electrónicas disponíveis em inglês e árabe, A Dabiq é um exemplo.

No Twitter o número de contas associadas ao EI é surpreendentemente elevado - cada cidade ocupada pela organização contou com pelo menos 12 mil contas associadas.

À medida que uma conta é bloqueada, os seguidores do grupo criam uma outra conta com um nome falso associado.

 

Como o Estado Islâmico domina as redes sociais

Imagem: Business Insider

 

O Estado Islâmico usa as ferramentas de forma eficiente

 

Ok, uma coisa são os recursos digitais à disposição da organização. Mas como é que eles os utilizam para promover tão eficientemente as suas mensagens?

O Estado Islâmico envia - em média - 156 tweets por minuto, cada um associado a hashtags específicas. No caso de hashtags mais populares, a organização terrorista também as usa a seu favor, conseguindo assim um alcance mais abrangente.

 

No ano passado o The Atlantic reportou que o Estado Islâmico teria desenvolvido uma aplicação própria para smartphones, capaz de publicar tweets nas contas dos utilizadores registados.

Os conteúdos incluem links, hashtags e imagens, e a sua natureza é decidida por alguém responsável pela estratégia de Social Media do grupo terrorista.

Os tweets são praticamente replicados em todas as contas associadas à aplicação do grupo.

 

A estratégia do Estado Islâmico funciona em dois níveis distintos:

 

Contabilizar as atrocidades da organização, o que inclui os vídeos de execuções. Os vídeos são publicados no Twitter e posteriormente no Youtube (bem como noutras plataformas). Os vídeos mais violentos, em inglês, são para uma audiência ocidental.

Promover o consentimento e a ideologia do grupo. Ou seja: justificar com a religião as suas acções. O objectivo aqui é conseguir apoiantes. Os vídeos têm um carácter mais propagandístico, são legendados em inglês e mostram uma dimensão alinhada com a visão jihadista.

 

Uma medida eficaz para responder a esta propaganda é a contra-propaganda, associada a uma utilização eficiente das redes sociais.

O objectivo é claramente o de desmantelar ideologias, identidades e narrativas relacionadas com o grupo. Uma dessas medidas tenta desacreditar o grupo terrorista criando memes que reflictam hipocrisia dentro do grupo.

 

Redes sociais menos populares

 

As acções do Estado Islâmico não passam despercebidas nas redes sociais, que começam a exercer mais controlo nos conteúdos partilhados nas suas plataformas.

Isto obriga o Estado Islâmico a 'recolher-se' para redes sociais mais pequenas, como a Kik ou o Justpaste.it. Este último não requer registo nem conta para que os utilizadores comecem a partilhar conteúdos (vídeos e imagens).

 

Mariusz Zurawek, criador do Justpaste.it, referiu em declarações à BBC que 60% dos visitantes do site são de países onde se fala árabe.

« Isto é muito pouco comum para um site europeu », comentou. A natureza gráfica e violenta de alguns dos conteúdos disponibilizados no site da Síria levou o criador do site a concluir que a sua plataforma era utilizada por militantes do Estado Islâmico.

 

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