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Compreendo
Xiaomi Mi Note Pro. Já não tão acessível quanto isso

Xiaomi Mi Note Pro. Já não tão acessível quanto isso

sexta-feira, 16 janeiro, 2015 /
Xiaomi Mi Note Pro. Já não tão acessível quanto isso

Está o mercado a aprender com a Xiaomi ou a Xiaomi a aprender com o mercado?


Há dois anos atrás "Xiaomi" era uma palavra desconhecida para a esmagadora maioria dos fãs de tecnologias ocidentais. Hoje em dia, contudo, é uma marca reconhecida globalmente, mesmo que a sua presença ainda só esteja limitada à Ásia.

A gigante chinesa introduziu ontem duas novas propostas, uma das quais se chama Mi Note Pro - um phablet de especificações técnicas avantajadas, associado a um valor que reflecte a direcção em que a empresa pretende apostar mais.

Refiro-me ao segmento premium, onde o iPhone é considerado o standard e cuja competição inclui os topos-de-gama da Samsung, LG e mais recentemente a Huawei, entre outros.


A Xiaomi sempre deu dores de cabeça a estas fabricantes por apresentar propostas agressivas aliadas a preços provocantes. Com o Mi Note Pro, no entanto, a sua abordagem parece querer tornar-se um pouco mais convencional. Neste segmento em particular o Mi Note Pro vai custar 533 dólares.

O consumidor a que se destina não é necessariamente o mesmo que elevou a Xiaomi à actual terceira posição global das fabricantes de smartphones e que a colocou atrás apenas da Apple e da Samsung, que a empresa espera ultrapassar em menos de uma década.

Isto significa que esta nova abordagem apresenta os seus riscos para a empresa. Ao apostar num novo segmento, no qual ainda não é reconhecida (a Xiaomi, apesar de tudo, ainda não é vista como uma fabricante premium), a empresa arrisca-se a não corresponder às suas próprias expectativas.


Esta é uma área onde a Apple e a Samsung (a actual número 1 do mundo também necessitou de tempo para se estabelecer neste segmento, onde ainda não detém um reconhecimento unânime) navegam mais confortavelmente, mas não só - são também mais experientes e têm a confiança do público deste segmento.

Esta estratégia também não é particularmente diferente da abordagem adoptada pela Huawei nos últimos três anos. De facto, esta aposta consistente em oferecer uma experiência premium aos seus utilizadores permitiu catapultar as vendas da empresa, que viu em 2014 o seu ano de maior sucesso no segmento dos telemóveis.

A mudança de direcção mostrou-se positiva para a Huawei, mas foi necessário algum tempo para a empresa colher os frutos do seu trabalho.


A vantagem da Xiaomi está em já ter conseguido captar o interesse dos consumidores e dos investidores, e de neste momento ter saldo suficiente para se dar ao luxo de enveredar por uma aventura incerta. Há quatro anos atrás isto não seria possível para a empresa.

Isto não significa que o seu percurso tenha que ser semelhante ao da Huawei. A escalada da Xiaomi pode ser mais rápida, já que tem o modelo da Huawei como base para poder definir a sua própria estratégia. Só o tempo o dirá. Até lá, que o mercado aprenda com a Xiaomi à medida que esta também aprende com o mercado.


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