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Análise: o LG G5 é um bom smartphone, mas um péssimo telemóvel modular

Análise: o LG G5 é um bom smartphone, mas um péssimo telemóvel modular

terça, 20 dezembro, 2016 /
Análise: o LG G5 é um bom smartphone, mas um péssimo telemóvel modular

O LG G4 foi um sucesso; o LG G5 nem tanto.

 

No fim de 2015 estimou-se haverem 7,3 mil milhões de subscrições móveis em todo o mundo. Este número deverá ficar-se nos 7,5 mil milhões em 2016, mas o Ericsson Mobility Report estima que vai crescer para 8,9 mil milhões até 2022.

Estes dados dizem-nos duas coisas:

  • Que em 2016 há tantas subscrições móveis como pessoas no mundo
  • Que em 2022 vão haver mais subscrições móveis do que pessoas no mundo

Os números são mais baixos se considerarmos apenas smartphones. Em 2016 estão registadas 3,9 mil milhões de subscrições móveis em todo o mundo, ou pouco mais de metade da população mundial actual.

Em 2022 estima-se que serão 6,8 mil milhões.

A perspectiva de crescimento seria uma boa notícia para todas as fabricantes de smartphones, não fosse este um segmento ultra competitivo. A LG, por exemplo, está a perder popularidade para concorrentes como a Huawei.

Se em 2015 a LG manteve um nível de vendas consistente, com números quase sempre a rondar os 15 milhões de unidades (à excepção do segundo trimestre), em 2016 a história é diferente.

O LG G4 foi um sucesso; o LG G5 nem tanto.

“As estimativas para as vendas do G5, no segundo trimestre deste ano, ficaram-se nos 2,2 milhões de unidades, abaixo dos 3 milhões esperados. Isto deveu-se à fraca resposta do mercado ao G5”, explicou um porta-voz da LG em Julho.

“E ao facto da empresa não ter conseguido competir com a promoção agressiva dos rivais”.

Só que isto não nos diz nada sobre o telefone.

 

LG G5: características completas

 

O LG G5 foi anunciado em Fevereiro no Mobile World Congress 2016. Na altura deu que falar pelas suas características modulares, que permitem trocar componentes do telefone como a bateria ou o módulo de câmara.

O problema? O utilizador comum não se interessou por estas características.

Ainda assim, a opinião dos críticos sobre o telemóvel foi geralmente positiva e, de facto, até vale a pena recordar que foi considerado o melhor smartphone do MWC 2016. Traz um ecrã fantástico, uma câmara ainda melhor e carregamentos ultra-rápidos.

Em contrapartida peca na qualidade de construção e interface Android, que aqui são apenas razoáveis. O seu maior pecado, contudo, está naquilo que o distingue dos outros smartphones - os módulos. É que os do LG G5 são poucos e caros.

A falta de mais módulos interessantes foi um tiro no pé, especialmente quando 2016 incluiu propostas agressivas como o HTC 10, Samsung Galaxy S7 ou até outros telemóveis modulares.

O corpo do LG G5 é à base de metal, mas não o parece porque o acabamento transmite uma sensação plástica ao toque. Nas costas encontramos um sensor de impressões digitais rápido e muito preciso, que no futuro fará parte dos ecrãs dos telefones da marca.

São as funcionalidades modulares que, ironicamente, mais passam despercebidas. Num dos lados do telemóvel encontramos uma patilha (só depois de procurá-la muito bem) que liberta a parte inferior do telefone.

À primeira vista parece que estragámos o telefone, pois o módulo traz consigo uma bateria de 2800 mAh. Mas podemos trocá-la pelo módulo da câmara dedicado, que traz a sua própria bateria. Este módulo inclui um botão ‘shutter’ só para fotos e vídeo.

O segundo e último módulo disponível (Hi-Fi Plus) é um conversor DA de 32 bits (e amplificador) que melhora significativamente o som no aparelho.

 

O LG G5 é alimentado por um Qualcomm Snapdragon 820 (quad-core, 2,1 GHz). É o mesmo processador do HTC 10 e do Samsung Galaxy S7.

A arquitectura do Snapdragon 820 inclui um CPU Kryo, de 64-bits, que garante o dobro do desempenho do seu antecessor (Snapdragon 810).

A Qualcomm optou por um quad-core por considerar que o menor número de núcleos não afecta o desempenho dos aparelhos. A empresa acha que o Android ainda não é exigente ao ponto de requerer oito núcleos de processamento.

Outro argumento afirma que para correr jogos, navegar na internet ou processar texto só são necessários entre um a dois núcleos de cada vez.

A placa gráfica é uma Adreno 530, integrada no Snapdragon 820. A Qualcomm garante ter um desempenho superior em 40% à Adreno 430.

Esta adição acaba por ser interessante porque garante que investir no LG G5 é compensado pelo suporte mais abrangente de tecnologias usadas em muitos jogos modernos (mas também futuros).

A Adreno 530 suporta Vulkan API e OpenGL 3.1, ambas usadas na maioria dos jogos Android actuais.

O modem X12 LTE no Snapdragon 820 assegura suporte a velocidades Cat. 12 LTE, que podem ir até aos 600Mbps (downlink) ou 150Mbps (uplink).

Esta tecnologia suporta frequências LTE-U (sem licença) e baseia-se na utilização do espectro de frequências “não licenciadas”.

LG G5 Características Completas 

O ecrã é um IPS LCD de 5,3 polegadas com 2560 x 1440 píxeis de resolução, revestido com Gorilla Glass 4. Esta resolução mantém-se desde que a LG lançou o G3, o primeiro smartphone do mercado com um ecrã QHD.

Esta resolução permite recriar o visual das melhores impressões físicas (ex: livros de arte de alta qualidade).

Para reproduzir fielmente essa qualidade de impressão o ecrã deve ser capaz de processar 540 píxeis por polegada (ppi). A empresa preenche esse requisito com a resolução QHD, que escolheu manter nos seus telemóveis.

A escolha do IPS LCD também tem vantagens (referidas recentemente durante a nossa análise ao Asus Zenfone 3) como ângulos de visão mais amplos ou melhor reprodução de cores.

“Um IPS oferece melhor visibilidade e leitura do que um ecrã AMOLED devido ao seu ecrã retro-iluminado. Um AMOLED não traz retro-iluminação porque a luz parte directamente de cada diodo”.

O tempo de vida do IPS também é superior ao AMOLED, que se degrada mais depressa e possui um prazo de validade inferior. No entanto, e comparativamente a um AMOLED, a retro-iluminação tem impacto nos consumos de energia.

Os ecrãs IPS também podem exibir imagens menos fluidas e sujeitar os olhos a um maior esforço.

 

O LG G5 tem duas câmaras digitais, mas três lentes. Uma câmara frontal com 8 MP e uma câmara dupla traseira, que combina sensores de 16 MP e 8 MP.

O sensor de 16 MP tem uma abertura f/1.8 (provavelmente será o mais usado dos dois). mas o de 8 MP é uma lente grande-angular com abertura f/2.4.

Uma lente grande angular abrange uma maior parte da cena do que a lente normal. Este tipo de lente distorce a imagem e a distância, o que produz um efeito de curvas. Os objectos aparecem mais pequenos do que como os vemos à vista.

 

É o tipo de lente ideal para fotos em lugares pequenos, onde uma lente normal não permite abranger a cena que se quer fotografar. Por exemplo, otografias com muitas pessoas em espaços fechados; se uma lente normal não deixar todos aparecerem na foto, uma lente grande angular vai resolver esse problema.

A grande angular também oferece maior profundidade de campo, o que significa que todos os obejctoos da imagem (à frente e ao fundo) aparecem focados e com maior nitidez.

A interface é familiar para quem já usou o LG G4 ou V10, talvez com excepção para os dois ícones no topo do ecrã, que alternam entre os dois sensores. Em alternativa também é possível alternar as lentes à medida que fazemos zoom in.

A qualidade das imagens é excelente, mas não foi a funcionalidade mais usada nos testes. Também captura vídeos em 4K (2160p@30fps)

A interface Android Marshmallow foi refinada e é talvez a abordagem mais ‘limpa’ e menos intrusiva que a LG já teve. Isto quer dizer que há menos aplicações e funcionalidades adicionais comparativamente a modelos anteriores.

À semelhança da EmotionUI da Huawei, a LG removeu o menu das aplicações, que agora está situado no ecrã principal. Esta interface despida também garante que o desempenho do G5 é suave (se bem que com 4 GB de RAM não seria um problema)

 

Conclusões sobre o LG G5

 

Nem todas as nossas jogadas de risco correm bem, e o LG G5 serviu para a empresa se lembrar disso mesmo. Baseado na assunção de que os utilizadores querem telemóveis modulares, as vendas abaixo do esperado mostraram que a LG errou nas suas previsões.

Talvez esta experiência tenha ditado o fim dos smartphones modulares para a LG. Longe de ser um mau smartphone, o grande pecado do G5 foi não ter oferecido módulos mais acessíveis e em maior variedade.

O que não deixa de ser uma conclusão ingrata - a LG correu um risco que não lhe compensou, mas também não se esforçou tanto como poderia.

Os resultados menos bons (afinal o G5 continuou a vender 2,2 milhões de smartphones - mais do dobro do volume de vendas do Moto Z) são fruto de um risco tímido, comedido, de ambição controlada, que não permitem concluir a 100% se os utilizadores estão mesmo dispostos a ignorar os smartphones modulares.

Mas investir em mais e melhores módulos teria significado um prejuízo ainda maior para a empresa.

Nunca saberemos se, nas condições certas, o G5 teria sido um êxito. Em vez disso ficará para a história da marca sul-coreana como uma razoável tentativa de participar numa tendência que é mais interessante como conceito do que na prática.

 

CLASSIFICAÇÃO FINAL --- BOM

Bom 

 

 

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