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Estará a Microsoft a aprender com a Motorola?

Estará a Microsoft a aprender com a Motorola?

sexta-feira, 13 fevereiro, 2015 /
Estará a Microsoft a aprender com a Motorola?

A Microsoft introduziu hoje três novos smartphones Lumia no mercado português

 


Reconheço perante o leitor que o meu título poderá não ser justo. Historicamente falando, antes da Nokia ter sido adquirida pela Microsoft já a empresa finlandesa apostava no segmento baixo do mercado. Se tanto, a estratégia da Motorola - que se revelou um sucesso - parece apenas ter validado os esforços da Microsoft neste sentido.

A Microsoft introduziu hoje três novos smartphones Lumia no Lisbon Story Center. Os novos Lumia 535, 532 e 435 custam entre 80 e 150 euros, e situam-se claramente no segmento baixo do mercado.

A aposta faz sentido, uma vez que é nos telemóveis baratos - mas bons - que se crê estar a oportunidade agora. E enquanto que o segmento alto do mercado se encontra saturado pelas propostas do costume - Samsung e Apple, principalmente -, o segmento de entrada ainda apresenta várias janelas de oportunidade às empresas que querem tentar vingar neste mercado.


Considero esta aposta interessante por dois motivos: em primeiro, porque considero que um Windows Phone abaixo dos 100€ continua a oferecer um desempenho superior a qualquer Android da mesma gama. Para um consumidor final, isto traduz-se numa experiência de utilização melhor. Ponto final.

A Google sabe que o desempenho é uma característica avaliada rigorosamente pelos utilizadores, e por esse motivo tem vindo a apostar em iniciativas como a Android One - em mercados emergentes, onde reinam os smartphones baratos - e numa estrutura menos pesada para o seu sistema operativo.

Mas a empresa só conseguirá ser bem-sucedida neste campo através da reestruturação, o que implica alterações progressivas, enquanto que a plataforma da Microsoft já é bastante leve em qualquer aparelho onde corra. Inclusive telemóveis com 512 MB de RAM.


O outro concorrente lógico da Microsoft é o iOS. Mas aqui estamos a falar puramente de smartphones de gamas altas, não acessíveis ao consumidor comum. O iPhone mais barato do mercado continua a estar avaliado em 250+ euros. E o valor que acabei de dar é ridiculamente baixo para os preços tipicamente associados aos telemóveis da Apple, inclusive em segunda mão.

O segundo motivo é um pouco menos óbvio. Chama-se Motorola, e passarei de seguida a explicar porquê.

A Motorola é a única fabricante de telemóveis bem posicionada no mercado a oferecer uma estratégia eficiente em gamas acessíveis. Nem a Samsung, nem a Huawei, nem a Xiaomi - que é fantástica no seu mercado-natal, mas que não tem ainda o alcance global que a Motorola tem - têm metade do sucesso da Motorola neste segmento em particular.


Os motivos: a Motorola é uma marca reconhecida, está a apresentar propostas competitivas e acessíveis, mas também soube focar os seus recursos para fazer esta estratégia funcionar. E a verdade é que funciona.

A Microsoft parece saber isto, e encontra-se em vias de criar concorrência à Motorola com as suas novas propostas. Não é que a empresa tivesse motivos para desconfiar que isto seria uma boa ideia - o histórico da Nokia sempre foi um pouco baseado nesta ideia, embora as suas propostas não fossem tão arrojadas na altura como as da Motorola parecem ser actualmente.

Com a introdução destes três novos Lumia, o cenário parece estar em vias de mudar para a Microsoft. Mas haverá trabalho a fazer por parte da empresa.


Luís Peixe, responsável pela divisão de dispositivos móveis da Microsoft Iberia, adiantou que a marca Lumia está mais popular: no Q4 de 2014 foram vendidos 10,5 milhões de Lumias em todo o mundo, o que representou o melhor trimestre fiscal da empresa dentro deste segmento.

Também se espera que os novos Lumia venham suportar Windows 10. E caso a empresa seja bem-sucedida em executar a sua estratégia de unificação - as aplicações concebidas para a versão PC do Windows 10 também serão capazes de correr em smartphones, ainda que adaptadas ao pequeno ecrã -, tem todas as condições para se diferenciar da concorrência.

A Microsoft também detém recursos suficientes para poder apoiar o mercado das aplicações com relevância local - as aplicações mais úteis aos utilizadores portugueses não serão, certamente, as aplicações mais úteis aos utilizadores indianos. Ainda que ambos os perfis possam partilhar certos traços em comum, como aplicações globalmente reconhecidas. Mas o seu foco ainda parece ser o da relevância local.


Não sei ainda como é que a Microsoft vai ser bem sucedida em criar condições para que os programadores consigam desenvolver para os vários ecrãs - já que teoricamente a plataforma será só uma - sem que isso se torne num inconveniente.

Mas acredito que o sucesso da empresa neste obstáculo em particular possa permitir alavancar o seu sistema operativo móvel. E quem sabe criar algumas dores de cabeça à concorrência.

Isto significa que, mais do que bem feito, a Microsoft tem que superar as expectativas que criou.

Estará a Microsoft a aprender com a Motorola?

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