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A Motorola pós-Google. À conversa com o director-geral da Motorola Iberia

A Motorola pós-Google. À conversa com o director-geral da Motorola Iberia

quinta-feira, 06 novembro, 2014 /
A Motorola pós-Google. À conversa com o director-geral da Motorola Iberia

Hoje foi dia de Motorola em Portugal. Depois de um longo período de ausência, a empresa - que agora pertence oficialmente à chinesa Lenovo - voltou hoje a entrar oficialmente no mercado português

A conversar com o Telemoveis.com sobre a 'nova' Motorola esteve o director-geral da Motorola Iberia, Juan Carlos de la Vela, que nos permitiu formular algumas conclusões em relação à direcção assumida pela empresa - uma direcção que teve forte influência da Google

A entrada da Motorola em Portugal ocorre depois de um período de recuperação que viu a empresa ganhar novamente popularidade no mercado, primeiro nos EUA - graças a fenómenos de venda como o Moto G - e depois no resto do mundo, em especial em mercados europeus como o Reino Unido, França, Alemanha e Espanha.

De facto, o regresso da Motorola ao mercado de nuestros hermanos ocorreu há praticamente um ano. Desde então que a empresa conseguiu conquistar uma quota de mercado próxima dos 15%, muito em parte graças à excelente relação preço-qualidade que tornou o Moto G no maior sucesso de vendas do catálogo da empresa. As expectativas para o mercado português não são menos ambiciosas.

 

"Este produto foi anunciado em Espanha no final de Setembro e converteu-se num sucesso de vendas nos últimos 30 a 45 dias. É um êxito", explica ao Telemoveis.com. "É número um de vendas na Amazon".

 

Este sucesso, espera o director-geral da Motorola Iberia, tem todas as possibilidades de se repetir em Portugal. O que ajuda a explicar o timming do lançamento, que está longe de ter sido inocente - a menos de um mês do Natal, a chegada de um novo smartphone de uma marca reputada, com um preço acessível aliado a características técnicas apelativas, fará certamente as delícias de muitos consumidores portugueses.

 

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CONHECER O PÚBLICO

Como seria de esperar de uma marca da envergadura da Motorola, o trabalho de casa foi feito com a devida antecedência - a empresa sabe não só quem é o seu consumidor, como sabe também onde ele se encontra (e onde não o deve procurar). "A estratégia é comunicar onde estiver o utilizador final. E o utilizador final está na internet", explica, a respeito dos planos de marketing da empresa. "Vamos fazer muita comunicação online. Não vamos fazer televisão".

 

É com base na sua perspectiva sobre o consumidor final que a Motorola define toda a sua estratégia actual. O conceito do premium acessível é um exemplo disso. Quando questionámos Juan Carlos de la Vela sobre a possibilidade destes modelos canibalizarem as vendas dos seus topos-de-gama, a resposta foi a seguinte:

"O Moto G é o melhor produto em relação a preço-qualidade. Queremos que as pessoas não tenham de pagar 400 ou 500 euros por um telefone de 5 polegadas. Se quiseres inovação tens o Moto X, que te oferece algo diferente".

 

De facto, a Motorola foi provavelmente a primeira grande fabricante com presença mundial a apostar no segmento médio do mercado - um segmento que tem vindo a ser palco de uma luta bastante agressiva por parte de fabricantes asiáticas menos conhecidas ao consumidor ocidental. Como é óbvio, não poderíamos deixar de perguntar à Motorola qual a sua opinião sobre esta nova vaga de fabricantes oriundas da China. A resposta surpreendeu-nos.

 

"Acredito que nos diferenciamos porque, por exemplo, o nosso compromisso em actualizar o software - só nós o assumimos. Acredito que muitas marcas ofereçam valor ao cliente final, muitas marcas chinesas, mas acredito que os nossos produtos se diferenciam porque oferecem qualidade muito superior a preços muito competitivos", comenta. Na sua opinião, em vários aspectos estas fabricantes ainda deixam um pouco a desejar em relação a nomes mais populares dentro do segmento.

 

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APRENDER COM A GOOGLE

As novas propostas da Motorola e da Google vêm responder à tendência do mercado, que procura smartphones de ecrãs grandes. Mas nem sempre esta característica foi vista com bons olhos pela empresa. De facto, foi ainda em 2013 - não há tanto tempo assim - que o então responsável de design da Motorola, Jim  Wicks, afirmou que "há um limite" em relação às características dos seus aparelhos. A empresa, contudo, aprendeu a corresponder às expectativas dos consumidores. O resultado são as suas novas propostas, ambas acima das 5 polegadas. E o Nexus 6, que chega em Janeiro, terá umas respeitáveis 6 polegadas de ecrã.

 

"Eu acho que a Google mudou a maneira de pensar da Motorola. Os nossos desenhos põem o utilizador em primeiro lugar. E o utilizador quer um ecrã de qualidade, de grandes dimensões". O resultado está no tamanho mínimo actual aplicado aos ecrãs dos aparelhos da empresa - pelo menos 5 polegadas. "Se ouvires o utilizador, apercebes-te das suas necessidades - quer um telefone rápido, quer um telefone que possa personalizar e quer um telefone que lhe custe pouco e que não implique compromissos".

 

Já na questão dos comandos-de-voz, pelo menos para o consumidor português, quase sempre nos passou um pouco ao lado. Isto porque a pronúncia europeia obrigava a muitas repetições do mesmo comando, quando em inglês, de forma a que o telefone entenda o que pretendemos. Por outro lado também o suporte ao idioma português sempre esteve limitado ao português-brasileiro - compreensivelmente, uma vez que é um mercado muito maior. As novas propostas da empresa, contudo, asseguram o suporte para português-europeu (mas apenas no caso dos smartphones, o que significa que o Moto 360 não estará, para já, apto a suportar o português-europeu).

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WEARABLE DEVICES: PARA QUE SERVEM?

Tendo a Motorola um relógio inteligente no seu catálogo, foi impossível não perguntarmos ao director-geral da divisão ibérica da empresa o que pensava deste novo segmento de mercado. A seu ver, e no estado actual, os 'wearables' vêm sobretudo colmatar os pequenos detalhes da experiência de utilização do quotidiano - estes pequenos detalhes são sobretudo pequenas comodidades que, à primeira vista, não parecem fazer grande diferença, mas que no dia-a-dia vão permiitir poupar tempo e trazer maior conforto à experiência dos seus utilizadores. "O relógio é fantástico. Permite ver tudo - mensagens, dar respostas de voz", comenta com entusiasmo.

 

 

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