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Entrevista a Rui Castro, CEO da iClio

Entrevista a Rui Castro, CEO da iClio

quinta-feira, 16 julho, 2015 /
Entrevista a Rui Castro, CEO da iClio
Falámos com o CEO da iClio, uma empresa portuguesa que está a dar cartas no mercado mobile.

Estivémos à conversa com Rui Nuno Castro, Deputy CEO da iClio, uma empresa direccionada ao turismo que detém mais de quarenta aplicações presentes nas App Stores da Google, Apple e Amazon, cujo propósito passa por oferecer aos utilizadores um género de guia turístico digital, onde se colocam a descoberto vários segredos das cidades mais emblemáticas da Europa, e não só. Saibam toda a lista de aplicações para Android e cidades correspondentes aqui, e para iOS aqui.

Formado em Engenharia Informática, Rui Castro especializou-se em marketing e inovação em negócios de retalho de larga escala pela Faculdade de Economia da Universidade Católica de Lisboa.

Com mais de sete anos a gerir a comunicação e marketing de uma das maiores empresas de telecomunicações presentes em território nacional, Rui Castro tornou-se assim num experiente desenvolvedor de negócios e profissional na área do marketing, tendo também ocupado o cargo de media intelligence business design manager da empresa Cision, durante cerca de 4 anos.

Recentemente tem trabalhado como consultor para várias empresas no sector do turismo, tendo também auxiliado no desenvolvimento de vários negócios neste âmbito. Para o leitor ter uma ideia mais precisa, Rui Castro já trabalhou com marcas como a Vodafone, Portugal Telecom, Sonaecom, Repsol YPF, Logitravel e Unicer, entre várias outras de alto reconhecimento geral.

Deste modo, falámos com Rui Castro acerca dos seus mais recentes projectos, nomeadamente sobre as várias aplicações mobile orientadas para o turismo nacional e internacional, assim como os planos para o futuro.

De onde surgiu a ideia para investir na área do turismo?

«A iClio nasce no seio da Universidade de Coimbra e incubada no Instituto Pedro Nunes. O conceito nasce pela mão de 4 pessoas da área das humanidades (não da tecnologia) e a missão era claramente associar o melhor dos conteúdos ao melhor da tecnologia. O propósito, esse era muito claro e era o de resolver um problema. O problema que foi detectado passava pela necessidade por parte de quem viajava em negócios ou se via na condição de turista de forma acidental - gerir o tempo disponível ao mesmo tempo que conseguia desfrutar de tudo o que a cidade tem para lhe oferecer do ponto de vista cultural, histórico e de património».

Da concepção da ideia até à praticabilidade da mesma, quanto tempo e investimento foi necessário?

«A iClio nasce em 2009, mas a primeira versão do JiTT sai para o mercado apenas a fevereiro de 2011. Foi a primeira versão do JiTT de Barcelona. No entanto foi só a partir do início de 2014 que conseguimos efectivamente arrancar com o lançamento de 12 das maiores cidades mundiais do ponto de vista de fluxos turísticos. Isto só foi possível graças ao investimento que, em fevereiro de 2014, recebemos por parte da Portugal Ventures e da Busy Angels. Por detrás do JiTT está um grande esforço e investimento, desde o constante melhoramento da tecnologia até à produção dos conteúdos, passando pelos testes inloco dos guias que produzimos».

A julgar pelo rating das várias aplicações, é passível de afirmar que a iClio tem tido bastante sucesso… já estão ricos por esta altura? (risos)

«Sim, o rating é um factor importante para quem como nós vive de vender conteúdo para consumo em contexto de mobilidade. Felizmente temos tido o reconhecimento, a uma escala global, do trabalho que temos desenvolvido. Recentemente fomos referenciados pelo New York Times como uma das melhores formas para conhecer a cidade de Londres passeando a pé. Fomos, também, convidados pelo Secretário Geral da Organização Mundial de Turismo, Mr. Taleb Rifai, para fazer um show-case do JiTT na 58º cimeira anual desta organização das Nações Unidas, que se realizou em Haifa, em Maio. Nesta cimeira fomos apresentados como melhor prática no melhoramento da experiência turística através das tecnologias móveis».

Em termos estatísticos, onde se situa actualmente a iClio nas principais App Stores?

«A iClio é um dos maiores produtores de aplicações de viagens do mundo. Estamos nas principais lojas de aplicações iOS e Android do mundo inteiro. Estamos ainda nas 11 maiores lojas Android na China».

A iClio foi das primeiras empresas a produzir uma aplicação para Apple Watch. Quais as principais diferenças entre desenvolver a aplicação para smartphone e para Apple Watch?

«Em qualquer tipo de negócio é muito importante estarmos à frente da nossa concorrência e neste não é diferente. Esta estratégia de aposta no desenvolvimento para um tipo de dispositivo que estava a entrar no mercado pela primeira vez, apesar de tudo, constituiu um risco, mas agora percebemos que foi uma aposta grande. Tivemos o reconhecimento dessa estratégia tanto ao nível do número de downloads como ao nível da cobertura mediática global».

Acredita que o investimento no segmento do Turismo ainda tem uma grande margem de progressão em Portugal?

«Acredito piamente que o turismo continuará a ser um pilar essencial da nossa economia e, nessa condição, tem necessariamente que continuar a ser alvo de investimento. Estaria a repetir o que todos sabemos se começasse a enumerar as qualidades diferenciadoras e competitivas que Portugal tem enquanto destino turístico. Do meu ponto de vista, onde podemos crescer e melhorar é na criação de produto que vá realmente ao encontro da necessidade e à procura do mercado. Não nos podemos fechar na "bolha" do sol e mar e acreditar que isso vai fazer o trabalho por nós, temos que criar produto que responda e que vá ao encontro daquilo que o mercado quer. E o que quer o mercado? O mercado quer destinos turísticos ágeis e dinâmicos, que conseguem orientar a sua estratégia para a procura e não tanto para a oferta, destinos que sabem "ouvir" e interpretar o mercado. Estamos numa era em que devemos ser mestres na utilização da informação e as estratégias de promoção dos destinos não podem ficar alheias a isso».

Quais os principais projectos a curto/médio-prazo para a iClio?

«O projecto é um só, o Just in Time Tourist (JiTT). Acreditamos que vamos consolidar a marca e a posição de player mundial. Até ao final do ano de 2015 pretendemos atingir as 25 cidades mundiais em cinco idiomas diferentes no nosso portfólio. Adicionar cidades como Amesterdão, Tóquio, Istambul. Este mês lançámos Rio de Janeiro, São Paulo e Pequim».

Onde se vê a si e à iClio daqui a cinco anos?

«Neste mundo das startups é difícil prever o próximo ano. Seguramente vamos estar orgulhosos do trabalho que realizámos e com os resultados que atingimos. Sobre isso não tenho grande dúvida, a iClio tem uma equipa excepcional tanto a nível técnico e criativo como a nível humano. Não entenda isto como falta de ambição, nós sabemos exactamente o caminho que devemos trilhar para consolidar o JiTT como uma marca de referência e líder no seu segmento de mercado, mas somos realistas e cautelosos (sorrisos)».

Para todos os jovens empresários portugueses que procuram afirmar o seu lugar, quais os principais conselhos para que trilhem um caminho de sucesso?

«Há determinados valores que não aprendemos nas escolas e nas universidades e que caracterizam um empreendedor com carácter vencedor. A perseverança e resiliência, a capacidade de resistir a sucessivos quadros negativos e mesmo quando tudo aponta em sentido contrário, ter a capacidade de manter o rumo e a solidez. O foco no grande objectivo nunca deve ser perdido, custe o que custar, mas simultaneamente deve existir a capacidade de identificar os sinais do mercado que vão ajudar a consolidar o produto»

Rui nuno castro

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